COLUNA DO JORGE DIAS

A sinuca por  Jorge Dias

DECIMA  COLUNA

Jorge Dias (SINUCA) sua historia

Essa é uma história que começa quando eu não era mais criança, mas ainda era menor de idade. Aprendí, em Prática Jurídica Geral e Comercial, que uma pessoa , antes da maior idade, poderia adquirir a capacidade jurídica, estabelecendo-se comercialmente com economia própria, ou possuindo um curso de nível superior. No Colégio Santa Tereza, em Olaria, fiz o meu curso de Contador. Um dia o grupo, influenciado pela ala masculina, resolveu " matar " a aula do Professor Júlio Khal para jogar sinuca em um bar que ficava, mais adiante, e na mesma calçada  do Colégio, defronte , na Rua Leopoldina Rego, ficava a linha do trem, da Estrada de Ferro Leopoldina. No grupo havia o Gilberto neto do nosso mestre de todos os ramos de contabilidade, o Professor Afonso Marques Monteiro, o colega, o único, que já jogava sinuca, e quem deu a ideia da fugida. Transcorria a partida tranquilamente, quando de repente, o Mário, ou seu irmão, o Henrique, deu uma "varada " em uma bola qualquer, tão violenta que ambas pularam da mesa, indo correr na direção daquela porta de vai e vem que dava entrada ao salão. Quando o Mário  ou o Henrique se abaixou para apanhar as bolas que estavam paradas perto da porta, e se levantou já com as ditas cujas na mão, dá de cara com o Professor Júlio Khal, que então disse: " que vergonha! Vocês deixam de assistir  a minha aula, para vir jogar sinuca. Estou muito triste".

Alguns dias mais tarde, fui apresentado a um verdadeiro salão de sinuca, que ficava em cima do cinema Santa Helena , em Olaria. Eram muitas mesas. Foi um encantamento.  As bolas novinhas, limpas, brilhando com aquele colorido próprio, inclusive a preta, formando uma combinação de cores maravilhosa. Foi, nesse dia, que eu fiquei apaixonado pela sinuca. Comecei, então, a jogar sinuca, na Penha Circular, na Rua Lobo Junior, hoje, avenida,  próximo a esquina da Rua Lisboa, era o salão da Dona Alice. Lá, na ocasião era mais comum o jogo chamado de " 21 ", com cinco a oito parceiros, valendo, o que hoje seria cinco reais, por cabeça.  Consistia em matar as bolas totalizando vinte e um pontos. Já acostumado com esta modalidade, dava a saida, matando a bola cinco, e preparando a própria cinco , que matava mais duas vezes, e completava a tacada, matando a bola seis, ganhando a partida. Então dava a saida para nova partida, da mesma maneira. Com a branca no semi círculo, dava uma puxada na cinco preparando a cinco novamente, e ao matá-la outra vez preparava a bola seis, que matava, puxando para a bola cinco para completar os vinte e um pontos, e ganhar a partida. Era tudo muito fácil, "vista limpa ", tacada firme, sem bater no bico, estava sempre ganhando.  Aí, um dos parceirinhos dizia: Jorge, você tem que  jogar na outra mesa, pois aqui, não está dando pra nós. Havia duas mesas de sinuca e uma de bilhar francês. Nunca me dediquei ao bilhar. Na mesa que ficava no meio, entre a mesa de sinuca e a de bilhar, é que se praticava o jogo de sinuca " apostado ", e os jogadores eram de alto nível técnico e eu, logicamente, não conseguia me sair bem, perdia sempre. Perdia umas duas ou três partidas, não para mostrar aos  da outra mesa que não podia jogar alí, mas porque eu não tinha, na realidade,  condições de enfrentar os parceiros daquela mesa. Invariavelmente, voltava a jogar o vinte e um. Assim, iniciei  a prática da sinuca, jogando o "21 ".

Quando já estava trabalhando como Auditor ( Mc Auliffe, Turquand & Young , mais tarde Turquand & Young, adquirida depois, me parece , por Arthur Andersen & Co. ) , o Martins, meu colega de trabalho, sabendo que eu gostava de jogar sinuca, e tendo tomado conhecimento de que iria ser realizado um torneio de sinuca na Associação Cristâ de Moços, me perguntou se eu gostaria de participar. Respondí que sim, mas aleguei que não era sócio, e êle me apresentou para tirar a carteira de sócio, e ao mesmo tempo me inscrever no torneio.  Fui o campeão do torneio, disputando a final com o  Leon, quem encontrei anos mais tarde, no Clube Monte Líbano.Até depois de me casar, em 1953, continuei jogando sinuca, e, em 1961, como contador do Tribunal de Contas da União, fui transferido  para Brasília.  Lá  havia o salão do Cacau, com mais de dezoito mesas, no solo e sub solo, próximo ao meu apartamento na Super Quadra 305  da ASA SUL. Na minha vida toda de sinuca, me lembro de ter jogado " de mano  " somente com dois parceiros , ambos do Tribunal de Contas da União: o Cruz e o filho do Chefe da  Primeira Diretoria de Tomada de Contas( o Paulinho).  Levava vantagem sempre  com os dois. Havia uma particularidade nas partidas que joguei com o Cruz.  Nas duas ou três primeiras partidas,  havia um certo equilíbrio, mas sempre levei vantagem, então, o Cruz, pra acalmar, e consequentemente, controlar melhor a sua tacada, pedia um conhaque . De fato, com o primeiro e o segundo cálice, êle se mostrava mais calmo e as jogadas saiam  mais certeiras, contudo, não  era bastante, pois eu continuava ganhando. Depois doterceiro, êle não se aguentava mais, e só perdia. Foi nessa ocasião que conhecí o marido de uma das minhas colegas do Tribunal, o Walter Gomes da Silva, o Walter Brasília. Jogava lá o Zaidman meu colega do Tribunal, e o Rubem Furtado, Ministro do Tribunal de Contas do Distrito Federal. Quem , mais tarde me chamou para fazer pela primeira vez, no Rio de Janeiro, um torneio de sinuca na TV  MANCHETE- Teatro Bloch..

Ate a proxima...    

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Jorge Dias

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