SALIM KEDOUK

PREFÁCIO NO LIVRO SEGREDOS E MEMÓRIAS DA SINUCA

Dediquei esse novo trabalho aos dois maiores jogadores de Sinuca do Brasil de todos os tempos, com quem tive a oportunidade de conviver: Lincoln e Carne Frita. Hoje, com o falecimento do meu querido amigo Salim Kedouk, presto minha última homenagem usando o prefácio que ele tão bem elaborou para o meu livro Segredos e Memórias da Sinuca, transcrevendo-o a seguir.

Jorge Dias

PREFÁCIO

      Quando, pela primeira vez, tomei contato com uma mesa de sinuca, fiquei encantado com o pano verde e suas bolas coloridas. A emoção de colocar à prova minha própria habilidade era um desafio que tinha de vencer, além de provar que teria condições de competir de igual para igual com qualquer jogador.

      Sem parâmetros e orientações, não havia condições para um aprendizado rápido e correto. Comecei da forma mais errada possível: não sabia da importância de ter um bom taco, um bom giz, não conhecia efeitos, não tinha noções de defesa nem sabia puxar uma bola (fazer a bola branca retroceder ao entrar em contato com outra bola), minha forma de segurar o taco e meus posicionamentos eram incorretos. Foram vários anos observando os detalhes de cada jogada realizada pelos grandes mestres da época, para que eu pudesse atingir o ponto ideal.

      Pensando num futuro distante, Jorge Dias Teixeira fundou no Rio de Janeiro, em 1973, a primeira Federação de Sinuca do Brasil. Podemos dizer que sua iniciativa estabeleceu o marco zero da sinuca.

      Conviveu no passado e convive no presente com os melhores jogadores de Sinuca, verdadeiros mestres que revolucionaram a arte em cima do pano verde. As experiências vividas pelo autor certamente o credenciam a transmitir seus conhecimentos aos leitores desta obra. Os detalhes técnicos de aprendizado contidos neste livro, as dicas sobre tacos, bolas, giz, solas etc. serão, sem dúvida, muito úteis na iniciação ou mesmo no desenvolvimento daqueles que buscam a evolução através dos conhecimentos aqui contidos. Conhecimentos que certamente deixam de ser segredos da sinuca.

      Sinuca, és impávida e colosso. Teu futuro espelha tua grandeza. Teu passado, condenado e execrado pela sociedade, guarda as mais belas histórias que uma classe poderia ter.

      Não podemos separar o passado do futuro, assim como não podemos separar o rio de seu leito, mas muitas coisas podem mudar ao longo do tempo. Se antes o rio era caudaloso e suas águas imundas. Hoje desliza suavemente em águas transparentes.

      Guardadas as devidas proporções, como seriam os Estados Unidos se aquela brava gente, formada por bandidos e mocinhos, não desbravasse as terras e alargasse suas fronteiras? Não havia lei nem ordem. Os mais fortes ditavam as regras e não hesitavam matar aqueles que não as cumprissem.Que passado seria mais condenável? No entanto, histórias enaltecendo o passado são cantadas aos quatro ventos. Bandidos viraram heróis, feitos e glórias se misturaram. Tudo foi perdoado. Não sabemos mais quem eram os mocinhos e quem eram os bandidos. Mas de uma coisa temos certeza: cada um, à sua maneira, contribuiu para formar uma grande nação.

      Tabus e preconceitos sempre fizeram parte da sinuca. Enquanto praticada pela aristocracia em suas mais diversas camadas, era considerada um esporte nobre. Quando os bens intencionados aristocratas resolveram massificar a sinuca, o objetivo era que todos pudessem desfrutar do prazer que sua prática trazia. No início, envoltos em aura de elegância e romantismo, os freqüentadores das casas com mesas de sinuca divertiam-se com a nova moda. Os salões prosperavam e a cada dia mais adeptos aderiam a esse novo lazer.

      Ao popularizar-se principalmente no Brasil, foi classificada como jogo de azar e como tal foi tratado pelas autoridades de todo o país. Como explicar essa radical mudança de conceito? Falta de informação, de regulamentação? Ou nenhuma, nem outra? A questão é: como pode ser considerado jogo de azar se sua prática exige precisão absoluta, coordenação motora, preparo físico aliado à lógica? Acuidade visual e talento são fatores essenciais para um bom jogador. Uma pesquisa mais profunda talvez revelasse como, por quê e quando aconteceu. Quem sabe o surgimento de conceitos e preconceitos negativos tenha acabado por gerar tal rótulo.

      Posso afirmar que a criatividade e genialidade dos jogadores brasileiros fizeram a diferença. Sentindo a possibilidade de ganhar dinheiro fácil com a nova moda, principalmente malandros e desocupados procuraram aprender a jogar Sinuca. Possuindo talento nato — e dispostos a apurar suas técnicas com muito treinamento — eles descobriram os segredos do jogo e guardaram a sete chaves.

      Com o poder de percepção das vaidades humanas, malandros e profissionais se valiam dessa qualidade e, de forma criativa e sem violência, tratavam de depenar aqueles que se atrevessem a enfrentá-los. Os grupos mais fracos, formados por iniciantes e pretensos jogadores, jamais teriam chance de vencer um oponente preparado e conhecedor dos segredos da sinuca. Podemos usar como termos comparativos as seguintes situações: que chances um lutador amador de boxe teria se enfrentasse um profissional? Ou o inexperiente e sem preparo físico vencer o experiente e bem preparado maratonista? Essas perguntas se estendem a todas as modalidades de práticas esportivas.

      Um bom observador pode definir algumas características da personalidade de um jogador, simplesmente analisando as atitudes e decisões tomadas no transcorrer do jogo. Por exemplo, se o jogador fica inibido com a presença de público e não consegue desenvolver seu potencial durante as partidas, certamente na vida pessoal ele é tímido. Se numa jogada duvidosa prefere não arriscar, optando por segurança, e usa o recurso de defender o jogo, na vida pessoal revela-se como uma pessoa cautelosa e prudente. Jamais será um jogador completo. Se, ao contrário, procura decidir as partidas sempre que uma chance aparece, tende a ser irresponsável, não dando muita importância às conseqüências de seus atos. Certamente terá muitos momentos de glórias e decepções. Na vida pessoal, um dia se sentirá no paraíso e outro no inferno. Aquele que consegue mesclar a segurança e o momento certo de arriscar para decidir uma partida, demonstrando ser uma pessoa equilibrada e segura de seus atos. Sua vida é pautada por sucessos e realizações pessoais.

      Para aplicação de todo potencial que possuímos, um fator muito importante é a concentração. Quando estamos concentrados naquilo que fazemos, não importa a atividade que estivermos praticando, atingimos naquele momento nossa capacidade máxima. Nada nos incomoda, não notamos barulhos nem percebemos os movimentos ao nosso lado. Atingir a concentração plena não quer dizer que seremos imbatíveis, mas, sim, que com certeza estamos desenvolvendo nossas habilidades na maior plenitude.

      Quando falo no potencial que possuímos quero dizer que temos limitações na nossa capacidade de evolução, execução e realização das jogadas. Para ser considerado um jogador de primeira grandeza, não basta só conhecer tabelas, efeitos, saber puxar a bola branca e ter noção dos fundamentos técnicos. Treinar intensamente não significa que o atleta será um jogador de primeira grandeza, porque o treino não é fator determinante na evolução. Ao atingir seu limite, o jogador praticamente estaciona seu potencial naquele patamar. Para se ter uma idéia, entre os milhões de praticantes de sinuca existentes no Brasil, podemos dizer que não temos mais do que seis jogadores fora de série. Os treinamentos são importantes para manter a forma física, adquirir mais experiência, malícia, gerar confiança e aprimorar a forma técnica. Mas não foram eles que transformaram, por exemplo, Pelé no maior jogador do mundo — e, sim, seus músculos privilegiados que, aliados à preparação física, foram preponderantes numa evolução diferenciada. Como explicar os esportes coletivos ou individuais em que poucos se destacam, apesar dos treinamentos serem exaustivos? Na sinuca também não é diferente. O talento aliado às condições físicas ideais, assim como ser líder de fato, são atributos natos nas pessoas.

      O mais importante atributo físico para que o jogador supere seus limites é ter um pulso muito firme. Essa qualidade facilita a realização com sucesso de jogadas que para muitos seriam impossíveis de executar. Aprender as técnicas e as posturas do corpo em relação ao jogo, ter um bom taco e um giz de qualidade colaboram muito. Conhecer tabelas e efeitos também é determinante na hora de decidir uma partida. Acrescente-se a tudo isso a importância de saber posicionar-se corretamente, tanto em relação aos pés como às mãos.

      A Sinuca sempre foi um jogo de habilidade pessoal. Não importa a inteligência, o grau de cultura ou condição social do jogador. O maior exemplo dessa teoria chama-se Carne Frita. Embora nunca tenha tido a oportunidade de estudar, é considerado um gênio como jogador de Sinuca. Um verdadeiro general que estabelece suas estratégias de batalhas. Suas jogadas criativas foram assimiladas e praticadas por grandes jogadores; seus conceitos de defesa e ataque passaram a fazer parte na forma de jogar.

      As histórias do passado não se repetem. Hoje, a Sinuca é considerada um esporte muito saudável. Assim como na Inglaterra e outros países, podemos ter nossos profissionais representando o Brasil nas competições internacionais.

      Neste livro o leitor terá oportunidade de conhecer os ensinamentos que desvendam os segredos da Sinuca. Podemos dizer que foram criados aqui atalhos de conhecimentos técnicos que abreviam o aprendizado, fortalecendo e acrescentando algo mais aos que já possuem experiência. A profundidade dos ensinamentos e a variedade dos assuntos permitem ao leitor adquirir conhecimentos de uma forma bastante simples e proporcionam um aprendizado rápido mesmo para aqueles que desconhecem regras e fundamentos dos jogos de sinuca.

      Jorge Dias Teixeira, autor deste livro, é um dos baluartes da Sinuca no Brasil e também profundo conhecedor de seus segredos. Em sua incansável luta pela divulgação, dedicou boa parte de sua vida à moralização da Sinuca e seu reconhecimento como esporte.

      Meus agradecimentos ao autor Jorge Dias Teixeira pela oportunidade de escrever este prefácio e poder registrar minha extrema admiração por tudo que tem feito pela sinuca desde os idos da década de 1970, quando lançou a pedra fundamental e conseguiu, com a ajuda de muitos, transformar um jogo marginalizado num esporte sério, competitivo e respeitado.

SALIM KEDOUK

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"Segredos e Memórias da Sinuca"

O NOVO LIVRO DO JORGE DIAS

A paixão e a dedicação pelo esporte da sinuca sempre impeliram o Jorge Dias a procurar um meio de transmitir com maior eficiência a sua experiência e conhecimentos, optando então pela edição de um livro técnico. Assim, surgiu o novo livro "Segredos e Memórias da Sinuca", que transfere ao leitor os conhecimentos e os fundamentos técnicos da prática da sinuca, em texto esclarecedor e imagens ilustrativas.

O livro e outros produtos estão disponíveis para interessados, com informações na página "Ofertas em Pacotes". Encomendas podem ser feitas por e-mail para o Jorge Dias - jorgedias@domain.com.br  ou  jorgedias_649@msn.com - identificando seu nome, endereço completo, CEP e telefone.

O pagamento geralmente é feito por meio de depósito bancário e o livro é despachado pelo correio, sem custo adicional.

jorgedias@domain.com.br - jorgedias_649@msn.com

A AFRFB - Associação dos Auditorres Fiscais, publicou em sua revista matéria abordando o lançamento do novo livro do Jorge Dias:

 

               

 Jorge Dias
 CD: Músicas do Jorge Dias
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